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O Football Manager entrou muito cedo na vida de todos quanto os que amam o futebol. Por se tratar de um simulador consegue apresentar-nos uma série de cenários desafiantes e que implicam um compromisso da nossa parte. Mas se o nosso maior “trabalho” é apreciar o produto final, aquele que chega às nossas mãos ou aos nossos computadores, existe um longo caminho e uma ainda maior lista de pessoas responsáveis por criar (ou actualizar) a base sob a qual vamos jogar. E Sandro Veloso é uma dessas pessoas.

E apesar de só ter 22 anos, não se deixe enganar, já soma muitas horas de trabalho e muitas aventuras, sendo que o denominador comum entre tudo isto é sempre o futebol. Analista no MaisFutebol, Sandro faz parte da equipa de desporto da Mundial FM/Rádio Jornal do Centro e foi este ano convidado para integrar a equipa de pesquisa do Football Manager, ficando responsável pelo Beira-Mar e pelo Águeda.

Como tal, e para tentar desmistificar algumas questões em torno do jogo, o Penálti esteve à conversa com Sandro, que nos abriu as portas do FM 2017 e nos conduziu numa viagem que aborda assuntos tão diferentes como o facto de ter sido um primo a trazê-lo para este vício ou o facto da contratação de Bébé afinal não ter sido feita só via “Youtube”.

Para perceber onde tudo começou tivemos de obrigar o Sandro a recuar até aos tempos de miúdo, altura em que ficou tão impressionado com a dupla de avançados que ajudaram o primo a vencer cinco Ligas dos Campeões seguidas com o Sporting que teve de começar a jogar pela sua própria mão (ou cabeça), mesmo que isso implicasse ir para o trabalho da mãe. “Comecei a jogar FM (na altura ainda era Championship Manager) muito cedo. Comecei por causa de um primo com que ficava nas férias e na altura ele jogava o CM 03/04. Ele tinha ganho cinco Ligas dos Campeões seguidas quando eu conheci o jogo e tinha uma equipa super engraçada de jogadores que eu não conhecia e isso estimulava-me a querer conhecer mais sobre o jogo. Os avançados dele por exemplo, era o Evandro Roncato, que passou pelo campeonato português, e o outro era um tal de Supat, com um apelido enorme [Rungratsamee], e foi aí que eu comecei a jogar FM, no caso CM”, começou por dizer. “Mas até hoje o que mais gostei foi o FM 2008. Lembro-me que ia para o trabalho da minha mãe jogar, porque ainda não tinha computador em casa, e passava a vida a jogar aquilo”.

“O objectivo do Football Manager tem sido sempre tornar a base de dados mais real e por isso é que as equipas de observação estão divididas por países, para que possa haver essa observação ao vivo”

Beira-Mar logo E mesmo que Sandro admita que na edição de 2015 o jogo tivesse alguns “bugs” de “levar as mãos à cabeça”, como o guarda-redes mandar a defesa subir e depois bater a bola para o meio do seu meio-campo defensivo, deixando a bola nos pés do dianteiro adversário, a relação entre ele e o jogo sempre existiu e foi com naturalidade que aceitou o desafio de integrar a equipa de observação do jogo, convite este que Sandro atribui ao facto de conhecer muito bem as equipas com que ficou, Beira-Mar e Águeda. Questionado acerca das dificuldades deste trabalho, admitiu que “conhecer bem as equipas em causa” foi meio caminho andado e lembrou que mesmo que veja uma estatística de um “avançado que tem 20 golos em 20 jogos” não faz nenhum tipo de avaliação sem o ver ao vivo. “O objectivo do Football Manager tem sido sempre tornar a base de dados mais real e por isso é que as equipas de observação estão divididas por países, para que possa haver essa observação ao vivo”, atirou.

Nas famosas conversas de café ainda se pensa que os clubes portugueses são pouco abertos a estas iniciativas [no caso do Águeda por exemplo foi a primeira vez que alguém teve a ‘missão’ de observar e recriar o plantel no jogo] mas Sandro garante que os clubes lhe facilitaram muito o trabalho e que no caso do Beira-Mar até manteve algumas conversas com o técnico José Alexandre Silva, que ia “facultando algumas informações sobre o plantel e algumas contratações mesmo antes de serem oficializadas, ainda que já estivessem numa fase avançada em que só faltava o anúncio público”.

Outro dos temas que tínhamos que abordar nesta conversa era o facto dos clubes andarem “à caça” de jogadores na base de dados no FM e para tal pedimos ao Sandro que “vestisse” o papel de “scout” de um clube de primeira ou segunda liga e nos dissesse se durante este período de observação para o jogo se tinha cruzado com algum jogador que considere poder chegar a um campeonato profissional. Mas como o próprio nos fez questão de recordar, não é fácil imaginar jogadores da distrital na Primeira ou Segunda Liga, se bem que no caso do Águeda, que figura no Campeonato de Portugal Prio (CPP) já não é impossível acreditar que isso pode acontecer. “No Águeda, como está no CPP já dá para pensar um pouco mais nisso mas no Beira-Mar neste momento é impossível acreditar”, afirmou, antes de abrir um pouco mais o jogo e nos dizer que no caso do Águeda, “um deles acredito que vai chegar à Segunda Liga e não tenho muitas dúvidas, por isso é que o recriei no jogo a pensar nisso”.

“Sei de observadores de clubes e agentes que estão à procura de novos jogadores para agenciar que vão comunicar com o responsável máximo do FM em Portugal para saber o que acham de determinados jogadores”

Everton-koeman-fmE se Sandro fala com certeza deste jovem jogador do Águeda também nos garante que ao contrário de tudo o que se falou nos media, Bébé não foi contratado pelo Manchester United ao Vitória de Guimarães com base em meros vídeos do Youtube. “Tenho dúvidas em acreditar que o Bébé tenha sido contratado via Youtube. Acredito que Jorge Mendes (JM) tenha tido muita influência e nós sabemos que o JM já ajudou vários clubes com bons negócios. O facto de descobrir grandes jogadores a preços baixos faz com que esses clubes fiquem quase com uma dívida de gratidão, no sentido em que se o Jorge Mendes diz que o Bébé vale aquele dinheiro o clube vai acreditar, porque acha que este agente falha menos que os outros”, disse. Contudo, Sandro não tem dúvidas em afirmar que os clubes e as pessoas ligadas ao futebol já olham para a base de dados do FM como uma ferramenta de trabalho e dá-nos um exemplo: “Sei de observadores de clubes e agentes que estão à procura de novos jogadores para agenciar que vão comunicar com o responsável máximo do Football Manager em Portugal para saber o que acham de determinados jogadores. Se criarmos um jogador com avaliações interessantes é provável que alguém vá falar com o responsável da pesquisa e perceber porque a avaliação está assim e se foi bem feita para depois passarem para uma análise ao vivo e perceberem se concordam ou não connosco. Mas sim, cada vez mais os clubes tem que ir nessa direcção”, rematou.

E se os clubes estão atentos a isto, os media também há muito perceberam que está aqui uma ferramenta poderosa, sobretudo ao nível da base de dados, que reúne informações de milhares e milhares de jogadores de todo o mundo. Uma das pioneiras neste campo é a “Sky Sports”, que já usa dados do jogo para apresentar comparações entre jogadores (imagem abaixo). “Essa integração do FM com os media tem todo o motivo de ser. O que é certo é que em termos de base de dados, de informações como peso, altura, perfil e posições, o FM está tão a par como outros site especializados”. Contudo, depois de questionado acerca de uma possível “equação” como a vista no filme “Moneyball” (que retrata a história real da escolha de uma equipa com base apenas nos dados estatísticos) ser aplicada na formação de um plantel, Sandro diz que tem alguma dificuldade em transportar isso para o futebol. “É difícil fazer o que o filme “Moneyball” trata no futebol, embora possa servir como base. É obvio que jogadores que estatisticamente são melhores têm tudo para render melhor nesse clube porque têm um rendimento mais regular e mais comprovado ao longo do tempo. Mas ao contrário de outras modalidades, o futebol depende muito do jogo colectivo e aí não basta ter três avançados que façam 20 golos por temporada se depois entre si não há a chamada química de equipa ou se o treinador não os consegue orientar para um objectivo comum. Mas tenho sempre curiosidade em ver se essas questões na prática e se dão positivo”, declarou.

Sky Sports Football manager

Encerrada esta questão, era altura de partir para outra igualmente importante, a escolha da equipa para começar a aventura no FM. Há quem defenda que só tem piada se for para começar numa equipa que consiga “atacar” logo títulos ou que tenha um orçamento “gordo”. Depois há os que dizem que o melhor é começar nos escalões inferiores e ir “subindo a pulso”, até ao dia em que se houve o hino da Champions pela primeira vez no clube da terra, num momento capaz de arrancar lágrimas aos mais fortes. E ainda há quem prefira iniciar desempregado e esperar que comecem a chegar convites. Como tal, e como são escassas as oportunidades de falar com alguém que esteve envolvido na criação da base de dados do jogo, só havia uma pergunta a fazer ao Sandro. Que equipa dá um desafio garantido na edição deste ano do FM?

Recreio Desportivo de Águeda logo“Vou ter de puxar a brasa à minha sardinha. Na impossibilidade das pessoas jogarem na primeira época com o Beira-Mar, devido ao facto da equipa não ser jogável por não estar no CPP, que é o primeiro campeonato jogável da base de dados portuguesa, ia sugerir que começassem a jogar com o Águeda, pois acredito que seja um desafio interessante. É uma equipa que tem qualidade para andar a lutar pelas quatro primeiras posições da série, juntamente com Anadia, Gafanha e Lusitano de Vildemoinhos. É um desafio interessante porque há estas quatro equipas para duas vagas para ir à fase da subida e depois nessa fase o desafio ainda se complica mais, já que existem equipas como Leiria, Sanjoanense, Benfica de Castelo Branco…”, atirou.

Com esta dica do Águeda já “no bolso”, resolvemos continuar a “arrancar informações” e agora trouxemos para a conversa as famosas contratações pechincha, em que se contrata muito mais qualidade do que estamos a pagar. E o Sandro Veloso voltou a ajudar-nos. “Alexandre Silva, defesa central do Alba. Trata-se de um jovem com muita qualidade a defender mas ao mesmo tempo com muita competência ao nível da técnica. Mas para quem quer pechinchas recomendo que sigam de perto o Beira-Mar que é uma equipa que se reforça muito bem e consegue jogadores que parecem quase impossíveis para uma distrital. E quem quiser pode ir lá buscá-los a custo zero, porque na distrital os jogadores são livres. Só precisam de ‘acenar’ com um salário mais alto”.

Por isso aproveitem e tirem notas, porque segundo o Sandro talento não falta no distrito de Aveiro. E já sabe, não deixem de nos dizer os jogadores que mais gostaram de contratar ou com que equipas começaram. Queremos saber tudo!

Podem seguir o trabalho do Sandro Veloso mais de perto através do Facebook ou Twitter.

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